I'm beginning to get used to the idea that Laura might be the person I spend my life with, I think (or at least, I'm beginning to get used to the idea that I'm so miserable without her that it's not worth thinking about alternatives). But it's much harder to get used to the idea that my little-boy notion of romance, of négligés and candlelit dinners at home and long, smouldering glances, had no basis in reality at all. That's what women ought to get all steamed up about; that's why we can't function properly in a relationship. It's not the cellulite or the crow's feet. It's the... the... the disrespect.
Nick Hornby
Sim, ainda dura... Vida ocupada... Esta passagem foi só rir! E eu que pensava que os homens não pensavam em romance! E o vocábulo disrespect está mesmo lá!
Wednesday, September 06, 2006
Dúvida inquietante
Porque será que todas as lojas de chineses teem aquele cheiro a sonasol rasca? Aquele odor infame que entra pelas narinas e só dá vontade de sair dali, parece que todo o nosso corpo o rejeita e a respiração se altera só para diminuir as golfadas de ar daquele miasma... Blegh!
E já agora, porque será que todos (ou quase todos) teem a unha de um dedo mindinho incomensurávelmente maior do que as restantes? O que é que eles fazem com aquele dedo que justifique tamanha arma (sim, porque com o tempo a "coisa" fica afiada!) ??...
E já agora, porque será que todos (ou quase todos) teem a unha de um dedo mindinho incomensurávelmente maior do que as restantes? O que é que eles fazem com aquele dedo que justifique tamanha arma (sim, porque com o tempo a "coisa" fica afiada!) ??...
Tuesday, September 05, 2006
Desfocada
Mais uma discussão... Sempre o mesmo assunto que já fede... Lágrimas que rolam, cansadas. Desta vez percebo-as. Desta vez não choro sobre o abstracto. Sei porque me magoas. Porque me tomas por outra pessoa e isso dói. Tu de todas as pessoas devias ser o último a julgar-me de forma tão injusta. Pensei que soubesses que não sou assim como me pintas agora. E aquele punhal: "Não foi essa a educação que eu te dei", como quem quer dizer onde foi que eu errei?... Como se a culpa fosse minha. Mas culpa de quê?
Tu estás mal-habituada, pensas que todos são teus criados, mas não é assim. E mais: se não mudas de atitude vais-te dar muito mas na vida, muito mal. Ouve o que eu te digo Joana (o meu nome conspurcado num tom infame), tu aprende que eu sou teu pai, eu sei mais da vida do que tu, tu assim não vais lá.
Mas eu não sou assim. É o que dói é que eu nunca fui assim, plo menos não sobre a acusação de hoje. Sinto-me traída por ao fim de vinte anos não me conheceres. E isto tudo porquê? :
- Vais à loja e trocas o adaptador.
- Então e a factura?
- Levas a caixa.
- Sim, mas a caixa pode não chegar. Onde guardaste a factura?
- Epah, a caixa está no teu quarto.
- Sim, mas e a factura?
- Oh Joana procura! Eu não sou teu criado...
...e foi assim que começou. Mas não é essa a questão, tento dizer-te, mas tu não me ouves. Quando te irritas não há palavras que te façam ouvir a razão, ou sequer que te acalmem. Eu devia fazer como todos os outros e deixar a besta passar quando está enraivecida, em vez de lhe fazer frente, mas sinceramente não acho que deva deixar passar as calúnias e injurias que me lanças. Não foi isso que me ensinaste. A questão aqui é que eu não faço perguntas para chatear os outros, eu faço perguntas para estar prevenida, para poupar tempo. Acho óbvio que se perguntar onde está determinada coisa isso reduza a área de busca e a duração da mesma. Acho lógico que mais vale levar logo a factura do que ir à loja só com a caixa e correr o risco de ter de voltar para trás para ir buscar uma coisa que podia ter levado logo. Porque foi essa a educação que tu me deste. E tu não (me) reconheces. Eu sou como tu me ensinaste a ser. E agora tu repudias-me por isso. É isso que dói. É que quando não sou como tu tu chamas-me estúpida e taralhoca; quando sou como tu achas que sou irritante e mimada. Decide-te! Não, não acho que me deva deixar ficar:
- Quando eu procuro sozinha sem te pedir uma localização mais precisa tu depois chamas-me lenta, por isso é que estou já a perguntar. (Touché!)
- Não desvies a conversa! Tu estás a ser mimada e esse comportamento não te leva a lado nenhum. Acabou aqui a conversa... (Claro, escolhes a saída mais fácil. O teu papel vitalício de pai, algo que não poderei nunca destronar, e sob essa sombra não tens de admitir que estás errado).
Dói que não me conheças. Dói que não jogues de forma justa. Dói essa agressividade animal espelhada nos teus olhos que me faz sentir como uma presa. Dói porque sou um alvo injusto e devias saber disso.
Tu estás mal-habituada, pensas que todos são teus criados, mas não é assim. E mais: se não mudas de atitude vais-te dar muito mas na vida, muito mal. Ouve o que eu te digo Joana (o meu nome conspurcado num tom infame), tu aprende que eu sou teu pai, eu sei mais da vida do que tu, tu assim não vais lá.
Mas eu não sou assim. É o que dói é que eu nunca fui assim, plo menos não sobre a acusação de hoje. Sinto-me traída por ao fim de vinte anos não me conheceres. E isto tudo porquê? :
- Vais à loja e trocas o adaptador.
- Então e a factura?
- Levas a caixa.
- Sim, mas a caixa pode não chegar. Onde guardaste a factura?
- Epah, a caixa está no teu quarto.
- Sim, mas e a factura?
- Oh Joana procura! Eu não sou teu criado...
...e foi assim que começou. Mas não é essa a questão, tento dizer-te, mas tu não me ouves. Quando te irritas não há palavras que te façam ouvir a razão, ou sequer que te acalmem. Eu devia fazer como todos os outros e deixar a besta passar quando está enraivecida, em vez de lhe fazer frente, mas sinceramente não acho que deva deixar passar as calúnias e injurias que me lanças. Não foi isso que me ensinaste. A questão aqui é que eu não faço perguntas para chatear os outros, eu faço perguntas para estar prevenida, para poupar tempo. Acho óbvio que se perguntar onde está determinada coisa isso reduza a área de busca e a duração da mesma. Acho lógico que mais vale levar logo a factura do que ir à loja só com a caixa e correr o risco de ter de voltar para trás para ir buscar uma coisa que podia ter levado logo. Porque foi essa a educação que tu me deste. E tu não (me) reconheces. Eu sou como tu me ensinaste a ser. E agora tu repudias-me por isso. É isso que dói. É que quando não sou como tu tu chamas-me estúpida e taralhoca; quando sou como tu achas que sou irritante e mimada. Decide-te! Não, não acho que me deva deixar ficar:
- Quando eu procuro sozinha sem te pedir uma localização mais precisa tu depois chamas-me lenta, por isso é que estou já a perguntar. (Touché!)
- Não desvies a conversa! Tu estás a ser mimada e esse comportamento não te leva a lado nenhum. Acabou aqui a conversa... (Claro, escolhes a saída mais fácil. O teu papel vitalício de pai, algo que não poderei nunca destronar, e sob essa sombra não tens de admitir que estás errado).
Dói que não me conheças. Dói que não jogues de forma justa. Dói essa agressividade animal espelhada nos teus olhos que me faz sentir como uma presa. Dói porque sou um alvo injusto e devias saber disso.
Life wasted
You're always saying that there's something wrong... I'm starting to believe it's your plan all along... Death came around, forced to hear its song... And know tomorrow can't be depended on. I seen the home inside your head,... All locked doors and unmade beds. Open sores unattended Let me say just once that I have faced it,... A life wasted,... I'm never going back again. I escaped it,... A life wasted,... I'm never going back again. Having tasted,... A life wasted,... I'm never going back again. The world awaits just up the stairs Leave the pain for someone else. Nothing back there for you to find,...Or was it you, you left behind? You're always saying you're too weak to be strong... You're harder on yourself than just about anyone. Why swim the channel just to get this far? Halfway there, why would you turn around? Darkness comes in waves,... tell me,why invite it to stay? You're warm with negativity, Yes, comfort is an energy,... But why let the sad song play? I have faced it,... A life wasted,... I'm never going back again. I escaped it,... A life wasted,... I'm never going back again. Having tasted,... A life wasted,... I'm never going back again. Oh I erased it,... A life wasted,...I'm never going back again.
One lyric down, the rest of the discography to go!
One lyric down, the rest of the discography to go!
Ao vivo
Não há palavras… Não há mesmo!... Parada em frente ao monitor a tentar retroceder no tempo... Black, Life wasted, World wide suicide, Last kiss, Betterman, Wishlist, Even flow, Inside job, Jeremy... podia continuar a enumerar por mais algumas linhas… Não esperava tanto – para ser sincera, não esperava muito! – mas o entusiasmo desta noite dava para ir à lua e voltar. A pele arrepiava, a emoção contagiante electrizava! A dor de cabeça dissolveu-se naquele pavilhão (para voltar à saída, deixando claro o porquê da sua ausência).
Fica para a (minha) história, este concerto! O português arranhado do Eddie até ao fim (tão fofo!, lembrava o Colin Firth no Love Actually – Estou com dores de estômago, acho que é das gambas!), a plateia que dava vontade de mergulhar, a iluminação de fazer perder a respiração, aqueles olhinhos e sorriso que nunca mais acabavam... O berrar os poucos versos que eu sabia, a bola de espelhos na Wishlist (que marcou mesmo, senti-me no teu dvd), A loucura da Betterman ou do Life Wasted, os isqueiros e telemóveis presentes na Black...
Estou de rastos. Amanhã ainda vou estar de rastos. Doem os pés, a cabeça, as mãos de tanto baterem palmas, a voz, o coração por saber que este foi um momento único. Mas valeu a pena! Apesar das dores, apesar de todos os euros e cêntimos que não tenho (nem vou ter tão cedo), iria de novo, sempre... E irei da próxima, esperando fervorosamente que haja uma próxima...
Porque esta noite descobri que gosto de Pearl Jam muito mais do que aquilo que julgava.
E no meio de tanta emoção até me esqueci da maçã potencialmente-arremessável!
Fica para a (minha) história, este concerto! O português arranhado do Eddie até ao fim (tão fofo!, lembrava o Colin Firth no Love Actually – Estou com dores de estômago, acho que é das gambas!), a plateia que dava vontade de mergulhar, a iluminação de fazer perder a respiração, aqueles olhinhos e sorriso que nunca mais acabavam... O berrar os poucos versos que eu sabia, a bola de espelhos na Wishlist (que marcou mesmo, senti-me no teu dvd), A loucura da Betterman ou do Life Wasted, os isqueiros e telemóveis presentes na Black...
Estou de rastos. Amanhã ainda vou estar de rastos. Doem os pés, a cabeça, as mãos de tanto baterem palmas, a voz, o coração por saber que este foi um momento único. Mas valeu a pena! Apesar das dores, apesar de todos os euros e cêntimos que não tenho (nem vou ter tão cedo), iria de novo, sempre... E irei da próxima, esperando fervorosamente que haja uma próxima...
Porque esta noite descobri que gosto de Pearl Jam muito mais do que aquilo que julgava.
E no meio de tanta emoção até me esqueci da maçã potencialmente-arremessável!
Sunday, September 03, 2006
High Fidelity # 4
You see those pictures of people in Pompeii and you think, how weird: one quick game of dice after your tea and you're frozen, and that's how people remember you for the next few thousand years. Supposed it was the first game of dice you've ever played? Suppose you were only doing it to keep your friend Augustus company? Supposed you'd just at that moment finished a brilliant poem or something? Wouldn't it be annoying to be commemorated as a dice player? Sometimes I look at my shop (...), and at my regular Saturday punters, and I know exactly how those inhabitants of Pompeii must feel, if they could feel anything. (...) I'm stuck in this pose, this shop-managing pose, for ever (...). I feel as though I made a face and the wind changed, and now I have to go through life grimacing in this horrible way.
Nick Hornby
Gostos não se discutem (?)
Dar de comer a crianças nem sempre é fácil, por vezes torna-se necessário alguma persuasão. Há miúdos aos quais se canta A loja do mestre André ou O meu chapéu tem três bicos. Há miúdos que gostam da colher a vaguear perto da boca com os pais a dizerem "Olha o aviãozinho! Vrummm!!". Há outros aos quais quase temos de tapar o nariz. Outros precisam de uma contagem decrescente ("Vá, são só mais dez colheres!").
No caso do meu irmão é preciso cantar Como o macaco gosta de banana do José Cid. É triste, mas o que é que se pode fazer? Desde que não tenha que cantar as músicas da Floribella...
No caso do meu irmão é preciso cantar Como o macaco gosta de banana do José Cid. É triste, mas o que é que se pode fazer? Desde que não tenha que cantar as músicas da Floribella...
Friday, September 01, 2006
High Fidelity - yet
(...) What does "yet" mean, after all? "I haven't seen Reservoir Dogs yet". What does that mean? It means you're going to, doesn't it?
"Barry, if I were to say to you that I haven't seen Reservoir Dogs yet, what would that mean?"
Barry looks at me.
"Just... come on, what would it mean to you? That sentence? "I haven't seen Reservoir Dogs yet"?"
"To me, it would me that you're a liar. Either that or you've gone potty. You saw it twice. Once with Laura, once with me and Dick. We had that conversation about who killed Mr Pink or whatever fucking colour he was."
"Yeah, yeah, I know. But say I hadn't seen it and I said to you, "I haven't seen Reservoir Dogs yet", what would you think?"
"I'd think, you're a sick man. And I'd feel sorry for you."
"No, but would you think, from that one sentence, that I was going to see it?"
"I'd hope you were, yeah, otherwise I would have to say that you're not a friend of me."
"No, but -"
"I'm sorry, Rob, but I'm struggling here. I don't understand any part of this conversation. You're asking me what I'd think if you told me that you hadn't seen a film that you've seen. What am I supposed to say?"
"Just listen to me. If i said to you -"
- "" I haven't seen Reservoir Dogs yet," yeah, yeah, I hear you - "
"Would you... would you get the impression that I wanted to see it?"
"Well... you couldn't have been desperate, otherwise you'd have already gone."
"Exactly. We went first night, didn't we?"
"But the word "yet"... yeah, I'd get the impression that you wanted to see it. Otherwise you'd say you didn't fancy it much."
"But in your opinion, would I definetely go?"
"How am I supposed to know that? You might get run over by a bus, or go blind, or anything. You might go off the idea. You might be skint. You might just get sick of people telling you you've really got to go."
I don't like the sound of that. "Why would they care?"
"Because it's a brilliant film. It's funny, and violent, and it's got Harvey Keitel and Tim Roth in it, and everything. And a cracking soundtrack."
Maybe there's no comparison between Ian sleeping with Laura and Reservoir Dogs after all. Ian hasn't got Harvey Keitel and Tim Roth in him. And Ian's not funny. Or violent. And he's got a crap soundtrack, judging from what we used to hear through the ceiling. I've taken this as far as it will go.
But it doesn't stop me worrying about the "yet".
"Barry, if I were to say to you that I haven't seen Reservoir Dogs yet, what would that mean?"
Barry looks at me.
"Just... come on, what would it mean to you? That sentence? "I haven't seen Reservoir Dogs yet"?"
"To me, it would me that you're a liar. Either that or you've gone potty. You saw it twice. Once with Laura, once with me and Dick. We had that conversation about who killed Mr Pink or whatever fucking colour he was."
"Yeah, yeah, I know. But say I hadn't seen it and I said to you, "I haven't seen Reservoir Dogs yet", what would you think?"
"I'd think, you're a sick man. And I'd feel sorry for you."
"No, but would you think, from that one sentence, that I was going to see it?"
"I'd hope you were, yeah, otherwise I would have to say that you're not a friend of me."
"No, but -"
"I'm sorry, Rob, but I'm struggling here. I don't understand any part of this conversation. You're asking me what I'd think if you told me that you hadn't seen a film that you've seen. What am I supposed to say?"
"Just listen to me. If i said to you -"
- "" I haven't seen Reservoir Dogs yet," yeah, yeah, I hear you - "
"Would you... would you get the impression that I wanted to see it?"
"Well... you couldn't have been desperate, otherwise you'd have already gone."
"Exactly. We went first night, didn't we?"
"But the word "yet"... yeah, I'd get the impression that you wanted to see it. Otherwise you'd say you didn't fancy it much."
"But in your opinion, would I definetely go?"
"How am I supposed to know that? You might get run over by a bus, or go blind, or anything. You might go off the idea. You might be skint. You might just get sick of people telling you you've really got to go."
I don't like the sound of that. "Why would they care?"
"Because it's a brilliant film. It's funny, and violent, and it's got Harvey Keitel and Tim Roth in it, and everything. And a cracking soundtrack."
Maybe there's no comparison between Ian sleeping with Laura and Reservoir Dogs after all. Ian hasn't got Harvey Keitel and Tim Roth in him. And Ian's not funny. Or violent. And he's got a crap soundtrack, judging from what we used to hear through the ceiling. I've taken this as far as it will go.
But it doesn't stop me worrying about the "yet".
Nick Hornby
Pela noite dentro
A minha mente está uma confusão. Tanto e tão pouco se passou na última hora que é como uma viagem interminável num carrossel. Para mim a realidade são manchas de cor indistintas que se movem num círculo. Nem sei o que sinto. Ou por outra sinto-me... blue. A questão é porquê?
[Blower's Daughter - Damien Rice]
O Zé e a Sofia vieram cá depois de jantar com a menina. Já tem dois anos. Adoro crianças, mas não sei como lidar com elas. Não sei, acho que tenho medo que pensem que sou estúpida (Cause that makes sense!), ou que os pais achem que sou estúpida, ou provavelmente sou só eu que me sinto parva a fazer brincadeiras infantis... tenho medo de fazer comentários à lá Ross... E aqueles dois olhinhos intrigados fixos em mim também não ajudam. Sim, só me vês uma vez por ano e não me reconheces. É a verdade pura e simples, preto no branco, e não devia afectar, mas o facto é que afecta. Dói ver as vidas delas (da pequena Beatriz e das gémeas) passarem-me ao lado. E depois quando as vejo não sei o que fazer. Fico imóvel, como se impusesse a minha presença e isso custa-me. Como se esperassem que me fosse embora para seguirem com as suas vidas, fazerem coisas mais interessantes com o seu tempo. Estes frente-a-frente sabem-me a hipocrisia. Porque não há trivialidades. Não sei detalhes das suas vidas, não sei coisas que não se aprendem com perguntas mas sim com convivência. Tiques, gostos, tons de voz... Porque não me lembro do aspecto delas pelas manhã, acabadas de acordar, ou do som exacto do seu riso.
[Somewhere only we know - Keane]
Tento relembrar-me que daqui a uns anos já não haverá diferença de idades que nos distinga. Quando as gémeas tiverem vinte anos eu terei vinte e seis, será completamente diferente do que é agora. Reconforto-me repetindo o cálculo na minha cabeça uma e outra vez. Isso é uma estúpidez! a minha postura, quero dizer. Até parece que é só esperar que o tempo passe, aguardar que o despertador me avise e depois voltar do nada para criar laços de amizades definitivos. Não há relações instantâneas!
[Parachutes, Pearl Jam]
Custa ver-me aqui com esta gente da minha infância e observar de fora, como quem observa personagens de um quadro em movimento. E o mais absurdo é que sou eu que me cuspo para fora do quadro. Porquê? Não faço ideia...
O que sei é que do nadae depois de respirar fundo o Zé anuncia que vai ser pai outra vez. As doces matronas levantam-se de rompante para felicitar o casal agraciado. O chefe da casa (benfiquista por sinal) apenas returque, naquele humor que sempre lhe conheci: "ora só espero que desta vez seja um rapaz! Mulheres aqui já há que cheguem!". E com isto recolhe-se a ver a telenovela, para deixar as mulheres a cacarejar alegremente sobre o assunto.
E eu? Eu permaneci sentada no meio da gente e de tudo, sorridente mas imóvel, incapaz de proferir uma palavra. Como se fosse capaz de estragar a notícia, como se eu destoasse naquele quadro, como se aquela felicidade fosse deles e eu nem devesse estar ali.
Mas a notícia de uma nova vida? Até um desconhecido no meio da rua lhes daria os parabéns! Até eu faria o mesmo senão os conhecesse. Então porquê? Porquê? Porque não consigo dizê-lo com a minha própria família?? What is wrong with me???? A única resposta uqe vem em meu socorro é uma imagem do Matthew Perry a dizer "I'm Chandler! I make jokes whe I'm unconfortable". A única diferença é que eu jogo pelo seguro e não digo absolutamente nada. Zero!
[Nothingman, Pearl Jam]
Sempre foi assim. Não sei porquê. O que é facto é que com as pessoas mais jovens da família, pessoas que não vejo com tanta frequencia, com quem quero mesmo ser autentica acabo por não ser nada. Como se não encontrasse a saída (normal ou de emergência) do cassulo. E isso arrasta-se por anos e anos a fio. Devem pensar que sou uma tótó! Sei que não deveria ralar-me com oque os outros pensam, mas neste caso não consigo deixar de me importar.
[Somersault - Zero 7]
Só queria amizade e à vontade. Afinal somos família! Lembro-me das tuas palavras sobre o facto de a minha ansiedade ser contra-producente. Tens razão. Fazes-me tanta falta aqui! Quem me dera que estivesses comigo para materes desperto o meu verdadeiro eu. O meu eu espontâneo que sei ser com vocês. Ninguém nesta casa acreditaria que ando mesmo com hastes vermelhas e brincos intermitentes no Natal, que desligo o meu cérebro no Burger King ou no Chinês, que bati palmas no genérico dos Friends 1017 vezes... Não sei se sabem quem sou...
[Don't kill me tonight - Di-rect]
Sinto-me uma fraude, um espaço em branco. Se ao menos um solilóquio de Shakespeare fosse solução para tudo... Mas não é a recitar que vou criar laços (infelizmente).
[Heart of mine - Peter Salett]
Que carrossel! Agora, depois de vomitar tudo para o papel começo a ver as coisas com maior precisão e nitidez. Percebo melhor o meu blue state of mind. Se foi tudp? Não, ainda há mais. Mas por hoje chega...
[I'll be there for you - The Rembrandts*]
* e bato palmas mais uma vez!
[Blower's Daughter - Damien Rice]
O Zé e a Sofia vieram cá depois de jantar com a menina. Já tem dois anos. Adoro crianças, mas não sei como lidar com elas. Não sei, acho que tenho medo que pensem que sou estúpida (Cause that makes sense!), ou que os pais achem que sou estúpida, ou provavelmente sou só eu que me sinto parva a fazer brincadeiras infantis... tenho medo de fazer comentários à lá Ross... E aqueles dois olhinhos intrigados fixos em mim também não ajudam. Sim, só me vês uma vez por ano e não me reconheces. É a verdade pura e simples, preto no branco, e não devia afectar, mas o facto é que afecta. Dói ver as vidas delas (da pequena Beatriz e das gémeas) passarem-me ao lado. E depois quando as vejo não sei o que fazer. Fico imóvel, como se impusesse a minha presença e isso custa-me. Como se esperassem que me fosse embora para seguirem com as suas vidas, fazerem coisas mais interessantes com o seu tempo. Estes frente-a-frente sabem-me a hipocrisia. Porque não há trivialidades. Não sei detalhes das suas vidas, não sei coisas que não se aprendem com perguntas mas sim com convivência. Tiques, gostos, tons de voz... Porque não me lembro do aspecto delas pelas manhã, acabadas de acordar, ou do som exacto do seu riso.
[Somewhere only we know - Keane]
Tento relembrar-me que daqui a uns anos já não haverá diferença de idades que nos distinga. Quando as gémeas tiverem vinte anos eu terei vinte e seis, será completamente diferente do que é agora. Reconforto-me repetindo o cálculo na minha cabeça uma e outra vez. Isso é uma estúpidez! a minha postura, quero dizer. Até parece que é só esperar que o tempo passe, aguardar que o despertador me avise e depois voltar do nada para criar laços de amizades definitivos. Não há relações instantâneas!
[Parachutes, Pearl Jam]
Custa ver-me aqui com esta gente da minha infância e observar de fora, como quem observa personagens de um quadro em movimento. E o mais absurdo é que sou eu que me cuspo para fora do quadro. Porquê? Não faço ideia...
O que sei é que do nadae depois de respirar fundo o Zé anuncia que vai ser pai outra vez. As doces matronas levantam-se de rompante para felicitar o casal agraciado. O chefe da casa (benfiquista por sinal) apenas returque, naquele humor que sempre lhe conheci: "ora só espero que desta vez seja um rapaz! Mulheres aqui já há que cheguem!". E com isto recolhe-se a ver a telenovela, para deixar as mulheres a cacarejar alegremente sobre o assunto.
E eu? Eu permaneci sentada no meio da gente e de tudo, sorridente mas imóvel, incapaz de proferir uma palavra. Como se fosse capaz de estragar a notícia, como se eu destoasse naquele quadro, como se aquela felicidade fosse deles e eu nem devesse estar ali.
Mas a notícia de uma nova vida? Até um desconhecido no meio da rua lhes daria os parabéns! Até eu faria o mesmo senão os conhecesse. Então porquê? Porquê? Porque não consigo dizê-lo com a minha própria família?? What is wrong with me???? A única resposta uqe vem em meu socorro é uma imagem do Matthew Perry a dizer "I'm Chandler! I make jokes whe I'm unconfortable". A única diferença é que eu jogo pelo seguro e não digo absolutamente nada. Zero!
[Nothingman, Pearl Jam]
Sempre foi assim. Não sei porquê. O que é facto é que com as pessoas mais jovens da família, pessoas que não vejo com tanta frequencia, com quem quero mesmo ser autentica acabo por não ser nada. Como se não encontrasse a saída (normal ou de emergência) do cassulo. E isso arrasta-se por anos e anos a fio. Devem pensar que sou uma tótó! Sei que não deveria ralar-me com oque os outros pensam, mas neste caso não consigo deixar de me importar.
[Somersault - Zero 7]
Só queria amizade e à vontade. Afinal somos família! Lembro-me das tuas palavras sobre o facto de a minha ansiedade ser contra-producente. Tens razão. Fazes-me tanta falta aqui! Quem me dera que estivesses comigo para materes desperto o meu verdadeiro eu. O meu eu espontâneo que sei ser com vocês. Ninguém nesta casa acreditaria que ando mesmo com hastes vermelhas e brincos intermitentes no Natal, que desligo o meu cérebro no Burger King ou no Chinês, que bati palmas no genérico dos Friends 1017 vezes... Não sei se sabem quem sou...
[Don't kill me tonight - Di-rect]
Sinto-me uma fraude, um espaço em branco. Se ao menos um solilóquio de Shakespeare fosse solução para tudo... Mas não é a recitar que vou criar laços (infelizmente).
[Heart of mine - Peter Salett]
Que carrossel! Agora, depois de vomitar tudo para o papel começo a ver as coisas com maior precisão e nitidez. Percebo melhor o meu blue state of mind. Se foi tudp? Não, ainda há mais. Mas por hoje chega...
[I'll be there for you - The Rembrandts*]
* e bato palmas mais uma vez!
High Fidelity - music and misery
And then there's "Love Hurts" and "When Love Breaks Down" and "How Can You Mend A Broken Heart" and "The Speed Of The Sound Of Loneliness" and "She's Gone" and "I Just Don't Know What To Do With Myself" and... some of these songs I have listened to around once a week, on average (three hundred times in the first month, every now and again thereafter), since I was sixteen or nineteen or twenty-one. How can that not leave you bruised somewhere? How can that not turn you into the sort of person liable to break into little bits when your first love goes all wrong? What came first, the music or the misery? Did I listen to music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to music? Do all those records turn you into a melancholy person?
Nick Hornby
Nick Hornby
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