Comecei a ler o livro ontem. Devagarinho porque aqui nesta terra parada só me apetece dormir. E lembro-me de ti. Parece que o livro te transpira a cada parágrafo. E começo a perceber porque gostas tanto dele. Passo por partes que já citaste no teu blog e fico ainda com mais vontade de as citar no meu! Está muito lá!
Wednesday, August 30, 2006
High Fidelity
Comecei a ler o livro ontem. Devagarinho porque aqui nesta terra parada só me apetece dormir. E lembro-me de ti. Parece que o livro te transpira a cada parágrafo. E começo a perceber porque gostas tanto dele. Passo por partes que já citaste no teu blog e fico ainda com mais vontade de as citar no meu! Está muito lá!
Elogios que não veem
Todos os anos chego aqui com as mesmas esperanças. Todos os anos tudo cai por terra. E a cada ano que passa a desilusão tem um sabor mais amargo. É indiferente se como uma salada ou se vou ao McDonalds - ninguém dá pela diferença. Coca-cola trocada por sumos naturais - nada! Silêncio. É injusto. Aos olhos desta gente ainda sou a criança gorda que assaltava o jarro das bolachas a cada quinze minutos.
Mais tarde, quando fazia a peregrinação por entre bancos e conservatórias (como é costume aqui) apercebi-me: se calhar ser gorda é o meu elogio. Como um legado que eles não podem deixar senão a mim. Pensando bem, tanto os filhos, como as noras, como as netas, tudo saiu magrinho! Até a promessa do sobrinho-maravilha se esvaiu desde que ele se tornou vegetariano. Talvez de certa forma eu seja a herdeira dos genes gordos, embora todos saibamos que o laço de parentesco que os une está tão remoto que tal nunca seria possível na realidade. Se calhar o comentário distorcido ("Ah! isso é porque és gordinha como a prima!" - irrita-me quando as pessoas se referem a si próprias na terceira pessoa!) é mesmo um elogio ternurento.
Mas é um elogio que eu dispenso. Não quero esse rótulo porque me prende ao passado. Porque isso mostra-me como uma criatura vulnerável, triste, meia-adormecida no mundo, insegura e apagada e embora tudo isso seja verdade no passado, hoje seria uma imagem distorcida do presente. Não é que eu deseje renegar o passado, eu só não quero ser o passado. Já não sou uma menina gorda. Quanto muito sou uma rapariga gorda (apesar de o adjectivo ser já muito forte para mim! =D ). E isso faz toda a diferença.
Mais tarde, quando fazia a peregrinação por entre bancos e conservatórias (como é costume aqui) apercebi-me: se calhar ser gorda é o meu elogio. Como um legado que eles não podem deixar senão a mim. Pensando bem, tanto os filhos, como as noras, como as netas, tudo saiu magrinho! Até a promessa do sobrinho-maravilha se esvaiu desde que ele se tornou vegetariano. Talvez de certa forma eu seja a herdeira dos genes gordos, embora todos saibamos que o laço de parentesco que os une está tão remoto que tal nunca seria possível na realidade. Se calhar o comentário distorcido ("Ah! isso é porque és gordinha como a prima!" - irrita-me quando as pessoas se referem a si próprias na terceira pessoa!) é mesmo um elogio ternurento.
Mas é um elogio que eu dispenso. Não quero esse rótulo porque me prende ao passado. Porque isso mostra-me como uma criatura vulnerável, triste, meia-adormecida no mundo, insegura e apagada e embora tudo isso seja verdade no passado, hoje seria uma imagem distorcida do presente. Não é que eu deseje renegar o passado, eu só não quero ser o passado. Já não sou uma menina gorda. Quanto muito sou uma rapariga gorda (apesar de o adjectivo ser já muito forte para mim! =D ). E isso faz toda a diferença.
Monday, August 28, 2006
Dias de Cinderela
Há dias - poucos, mas há dias! - em que me sinto uma Cinderela. Olho para mim no espelho, saia branca e top rosa creme, tudo muito suave para enaltecer a pele levemente tostada. Cabelo levemente encaracolado, como deve ser. Assim olhando de relance para o meu reflexo na rua lembro-me da minha mãe. Estampada em mim. Sabe bem sentir-me um pouco mais feminina!
Cantinhos
Há tantos cantinhos em casa. Sítios para tudo. Como um felino que marca o seu território eu escolho os meus para cada coisa. Aquela cadeira de baloiço cuja almofada é já o molde do meu rabo. Coloquei uma pequena aparelhagem na cozinha para quando cozinho. O frasco para as bolinhas de sabão está guardado no parapeito da varanda.
A noite tocou à pouco as duas da manhã. A casa dorme. Eu sento-me na cadeira de baloiço, com o candeeiro perto de mim para poder ler. Coloco suave um cd de jazz, daqueles para fazer companhia. Acendo duas velas porque hoje me apetece. Perco-me nas páginas do meu livro... Pausa para chá... Volto-me a sentar, caneca na mão, a apreciar a calma e o sossego. Isto parece algo que li naquele livro.
De certa forma este momentos são uma das verdadeiras essências do carpe diem. Um dolce farniente que daqui a poucas semanas vou deixar de ter por muito, muito tempo. Por agora baloiço-me na minha (tão minha já!) cadeira de baloiço, uma caneca de chá nas mãos e um livro no regaço.
A noite tocou à pouco as duas da manhã. A casa dorme. Eu sento-me na cadeira de baloiço, com o candeeiro perto de mim para poder ler. Coloco suave um cd de jazz, daqueles para fazer companhia. Acendo duas velas porque hoje me apetece. Perco-me nas páginas do meu livro... Pausa para chá... Volto-me a sentar, caneca na mão, a apreciar a calma e o sossego. Isto parece algo que li naquele livro.
De certa forma este momentos são uma das verdadeiras essências do carpe diem. Um dolce farniente que daqui a poucas semanas vou deixar de ter por muito, muito tempo. Por agora baloiço-me na minha (tão minha já!) cadeira de baloiço, uma caneca de chá nas mãos e um livro no regaço.
Friday, August 25, 2006
Memoirs of a geisha # 4
By this time I was concentrating so hard on holding myself back from crying, I could no longer speak at all.
"Nobu-san is a good man", she said, "and very fond of you."
"Yes, but, Mameha-san... I don't know how to say it... this was never what I imagined!"
"What do you mean? Nobu-san has always treated you kindly."
"But, Mameha-san, I don't want kindness!"
"Don't you? I thought we all wanted kindness. Perhaps what you mean is that you want something more than kindness. And that is something you're in no position to ask."
Of course, Mameha was quite right. When I heard these words, my tears simply broke through the fragile wall that had held them, and with a terrible feeling of shame, I laid my head upon the table and let them drain out of me. Only when I'd composed myself afterward did Mameha speak.
"What did you expect, Sayuri?" she asked.
"Something besides this!"
[...]
"You're eighteen years old, Sayuri," she went on. "Neither you nor I can know your destiny. You may never know it! Destiny isn't always like a party at the end of the evening. Sometimes it's nothing more than struggling through life from day to day."
"But, Mameha-san, how cruel!"
"Yes, it is cruel," she said. "But none of us can escape destiny."
"Please, it isn't a matter of escaping my destiny, or anything of that sort. Nobu-san is a good man, just as you say. I know I should feel nothing more than gratitude for his interest, but... there are so many things I've dreamed about."
"And you're afraid that once Nobu has touched you, after that they can never be? Really, Sayuri, what did you think life as a geisha would be like? We don't become geisha so our lives will be satisfying. We become geisha because we have no other choice."
"Oh, Mameha-san... please... have I really been so foolish to keep my hopes alive that perhaps one day -"
"Young girls hope all sorts of foolish things, Sayuri. Hopes are like hair ornaments. Girls want to wear too many of them. When they become old women they look silly wearing even one."
Arthur Golden
"Nobu-san is a good man", she said, "and very fond of you."
"Yes, but, Mameha-san... I don't know how to say it... this was never what I imagined!"
"What do you mean? Nobu-san has always treated you kindly."
"But, Mameha-san, I don't want kindness!"
"Don't you? I thought we all wanted kindness. Perhaps what you mean is that you want something more than kindness. And that is something you're in no position to ask."
Of course, Mameha was quite right. When I heard these words, my tears simply broke through the fragile wall that had held them, and with a terrible feeling of shame, I laid my head upon the table and let them drain out of me. Only when I'd composed myself afterward did Mameha speak.
"What did you expect, Sayuri?" she asked.
"Something besides this!"
[...]
"You're eighteen years old, Sayuri," she went on. "Neither you nor I can know your destiny. You may never know it! Destiny isn't always like a party at the end of the evening. Sometimes it's nothing more than struggling through life from day to day."
"But, Mameha-san, how cruel!"
"Yes, it is cruel," she said. "But none of us can escape destiny."
"Please, it isn't a matter of escaping my destiny, or anything of that sort. Nobu-san is a good man, just as you say. I know I should feel nothing more than gratitude for his interest, but... there are so many things I've dreamed about."
"And you're afraid that once Nobu has touched you, after that they can never be? Really, Sayuri, what did you think life as a geisha would be like? We don't become geisha so our lives will be satisfying. We become geisha because we have no other choice."
"Oh, Mameha-san... please... have I really been so foolish to keep my hopes alive that perhaps one day -"
"Young girls hope all sorts of foolish things, Sayuri. Hopes are like hair ornaments. Girls want to wear too many of them. When they become old women they look silly wearing even one."
Arthur Golden
Thursday, August 24, 2006
Tempestades herméticas
O corpo treme. As lágrimas caem. A raiva propaga-se por mim como electricidade num poste de metal. Não tenho palavras, apenas uma explosão nuclear dentro do peito. Não há palavras, nem argumentos, nem gritos. Parece que tudo se passa apenas cá dentro. O grito de independência soa urgente como um urro. Pôr as minhas coisas numa mala e sair porta fora. O destino nem interessa. Não posso. Ou por outra, não quero. Não suportaria a humilhação de ter de voltar. As lágrimas escorrem-me pela face.
Há discussões que são como becos sem saída. Nenhuma das partes vai dar a mão à palmatória, e ambas sabem disso. Mas há discussões que são sujas, como um punhado de areia nos olhos. É o mais azedo, o mais àcido, o mais amargo. Quando ele me vira as costas e me dá por vencida. Ele não foge; ignora-me e diminui-me. E no entanto eu não estou derrotada. Continuo a defender o que acho correcto com a mesma força e constância. Mas olha para mim como se fosse uma menina tola e é só! Os meus argumentos são um turbilhão confuso que ele finge não sentir.
É como um burro de palas que só vê o caminho a direito. É teimoso como uma manada de vacas parada no meio da estrada. É crónico. Por vezes penso que por muito que eu cresça e evolua, voltarei sempre a ter doze anos nas horas de tempestade.
Há discussões que são como becos sem saída. Nenhuma das partes vai dar a mão à palmatória, e ambas sabem disso. Mas há discussões que são sujas, como um punhado de areia nos olhos. É o mais azedo, o mais àcido, o mais amargo. Quando ele me vira as costas e me dá por vencida. Ele não foge; ignora-me e diminui-me. E no entanto eu não estou derrotada. Continuo a defender o que acho correcto com a mesma força e constância. Mas olha para mim como se fosse uma menina tola e é só! Os meus argumentos são um turbilhão confuso que ele finge não sentir.
É como um burro de palas que só vê o caminho a direito. É teimoso como uma manada de vacas parada no meio da estrada. É crónico. Por vezes penso que por muito que eu cresça e evolua, voltarei sempre a ter doze anos nas horas de tempestade.
Wednesday, August 23, 2006
Memoirs of a geisha # 3
Arthur Golden
Sunday, August 20, 2006
Joaninha
A Joaninha... joaninha... De anónima passei a ser a cassula outra vez. A Joaninha... Sinto bem ali... Confortável dentro daquele diminutivo, com aquele tom meigo.
Então que idade Tens? (...) Vinte? (grande, grande abraço) Oh! Vinte anos! ninguém tem vinte anos hoje em dia! Oh Joaninha...
Sinto tanta coisa...
Tenho medo desse mundo grande do qual eles falam. As ruas de Londres como as de Lisboa - Ah, então isso é na ... Street! Fazes assim: chegas ao ..., viras à direita quando chegares ao ... e depois quando vires o ... é só atravessares a rua!
Olha, o Zé vai viver para a Bélgica. Como se fosse conversa de café, como se fosse normal, como se as pessoas não deixassem um buraco, como se a Bélgica fosse aqui ao lado, em Cascais ou no Porto, como se fôssemos visitar o Zé quando nos desse na real gana!
Olhem, e se fossêmos passar o ano novo a casa da Sofia a Londres ou a casa do Zé na Bélgica?
Tenho pena de não poder pegar na mochila e sair com eles, para Londres, para o Andanças, para Cuba, para as viagens que organizam assim do nada para amanhã. Histórias que posso apenas ouvir. Fotografias onde começo a aparecer, de presença ainda periclitante. Sou a Joaninha! Com um income bastante modesto, à pendura pelas vossas aventuras quando posso.
Nestas alturas queria ser verdadeiramente livre. Independente. Trabalho com ordenado fixo, carro e casa própria, sem o horário maluco e esferas de amizades tão diferentes. Tudo para poder embarcar convosco nas idas a Barcelona de carro ou nas férias de Verão (fora as férias de família, disse eu naquele instante. - Era isto que eu tinha medo de estar a perder)
Por vezes sinto-me um balão atado a uma pedra.
Oiço duas vozes distintas na minha cabeça:
Mas oh Joana não queiras crescer depressa demais. Tu tens vinte anos, eles são bem mais velhos que tu, não te esqueças disso!
Sabes Joana, acho que devias reduzir drásticamente a salsa e as tuas amizades salseiras. Tu devias era estar com pessoas da tua idade, sair à noite, arranjar um namorado, divertires-te! Não vais voltar a ter vinte anos outra vez!...
Não sei o que pensar... gosto disto e deles, muito mesmo. Sei que estou a conviver demais com a faixa etária errada. Mas será assim tão grave?? Sim, sinto falta do "namorado", de pessoas da minha idade, mas não consigo subtrair (diminuir sequer) a dança, o convívio inerente cujo lugar ainda não conquistei como queria. O dia não vai passar a ter quarenta e oito horas por muito que eu deseje (e mesmo que tivesse não sei se seria o suficiente!). No fim, tudo ficará bem, farei de tudo um pouco na mesma, esgotando-me até ao tutano, como sempre (só consigo viver assim, por completo), mas a dúvida subsiste...
Então que idade Tens? (...) Vinte? (grande, grande abraço) Oh! Vinte anos! ninguém tem vinte anos hoje em dia! Oh Joaninha...
Sinto tanta coisa...
Tenho medo desse mundo grande do qual eles falam. As ruas de Londres como as de Lisboa - Ah, então isso é na ... Street! Fazes assim: chegas ao ..., viras à direita quando chegares ao ... e depois quando vires o ... é só atravessares a rua!
Olha, o Zé vai viver para a Bélgica. Como se fosse conversa de café, como se fosse normal, como se as pessoas não deixassem um buraco, como se a Bélgica fosse aqui ao lado, em Cascais ou no Porto, como se fôssemos visitar o Zé quando nos desse na real gana!
Olhem, e se fossêmos passar o ano novo a casa da Sofia a Londres ou a casa do Zé na Bélgica?
Tenho pena de não poder pegar na mochila e sair com eles, para Londres, para o Andanças, para Cuba, para as viagens que organizam assim do nada para amanhã. Histórias que posso apenas ouvir. Fotografias onde começo a aparecer, de presença ainda periclitante. Sou a Joaninha! Com um income bastante modesto, à pendura pelas vossas aventuras quando posso.
Nestas alturas queria ser verdadeiramente livre. Independente. Trabalho com ordenado fixo, carro e casa própria, sem o horário maluco e esferas de amizades tão diferentes. Tudo para poder embarcar convosco nas idas a Barcelona de carro ou nas férias de Verão (fora as férias de família, disse eu naquele instante. - Era isto que eu tinha medo de estar a perder)
Por vezes sinto-me um balão atado a uma pedra.
Oiço duas vozes distintas na minha cabeça:
Mas oh Joana não queiras crescer depressa demais. Tu tens vinte anos, eles são bem mais velhos que tu, não te esqueças disso!
Sabes Joana, acho que devias reduzir drásticamente a salsa e as tuas amizades salseiras. Tu devias era estar com pessoas da tua idade, sair à noite, arranjar um namorado, divertires-te! Não vais voltar a ter vinte anos outra vez!...
Não sei o que pensar... gosto disto e deles, muito mesmo. Sei que estou a conviver demais com a faixa etária errada. Mas será assim tão grave?? Sim, sinto falta do "namorado", de pessoas da minha idade, mas não consigo subtrair (diminuir sequer) a dança, o convívio inerente cujo lugar ainda não conquistei como queria. O dia não vai passar a ter quarenta e oito horas por muito que eu deseje (e mesmo que tivesse não sei se seria o suficiente!). No fim, tudo ficará bem, farei de tudo um pouco na mesma, esgotando-me até ao tutano, como sempre (só consigo viver assim, por completo), mas a dúvida subsiste...
Feminilidade por inteiro
Não sei o que veio primeiro. Se os saltos altos, as saias, a confiança, a amizade, o lady styling... Mas o certo é que tudo isto esteve (está) presente, e agora tudo está diferente. O meu amor bifurcou-se, com a força de sempre, cada vez maior, se possível. Não sei ser mais feliz do que já sou na salsa e (agora) na kizomba. Não encontro a menina que começou a dançar à (apenas) dois anos atrás. Já não sou menina. Deixo-a para trás cada vez mais, sobretudo nos últimos meses. Sinto-me mulher, cem por cento, em cada dança. Não é uma questão de já ter experimentado tudo, é uma questão de descoberta, de auto-confiança. De ser verdadeiramente que sou e quem posso ser, sem medos, sem movimentos retraídos. Não sei explicar, não de forma verdadeiramente fidedigna... É preciso ver para crer...
A Joaninha (como eles me chamam) de saltos altos, toda de vermelho, saia daquelas que cada vez que rodam, rodam mesmo!, inteira naquela pista...
Que surpresa ver quem já não via há tanto tempo. Amigos do castelo que ruíu. E aquela frase ficou comigo, como uma recordação preciosa - Oh Joana, nem te reconheci. A sério, nem vi que eras tu, estás tão diferente, mais magra, mais elegante, feminina, confiante... Tu a dançar... Cuidado que ninguém te pára! (sim, foi uma excelente massagem para o ego!)
O meu pai chama-me show off. Sim, quero impressionar os outros. Mas não por querer mostrar que sou boa, mas por querer mostrar como posso ser eu mesma, e como esse eu é tão diferente do que normalmente está à vista. A diferença entre uma coisa e outra é tão ténue que até eu tenho dificuldade em vê-la, mas conseguem perceber? Estará assim tão errado?
Sei que já escrevi sobre isto antes, mas cada vez que o faço ainda parece a primeira vez. Porque é diferente, é uma nova barreira que se transpõe. E hoje não é sobre a salsa. É sobre a kizomba. Sobre ansiar por braços que envolvam o corpo por inteiro, pela sintonia, pelo ritmo... um ritmo que sempre odiei, mas que agora flui no meu sangue, bate no meu coração... Estou drogada, inebriada, completamente viciada na dança... O Patrick Swayze tinha razão! Sem confiança, sem nos deixarmos tocar não é possível. (Já ouço bocas brincalhonas - O que tu queres sei eu! - ) Não sei explicar porque gosto... Este post sabe-me a pouco quando penso, quando ouço kizomba e salsa aqui no pc... Apetece-me levar-vos no bolso em cada saída. Testemunhas da minha felicidade, perceberem a obcessão, o bichinho... Porque eu sei que sou chata com este assunto. Chata e obcessiva. As minhas desculpas, mas não consigo calar o que já está dentro de mim, tão dentro de mim que já confundo com aquilo que já era meu...
A Joaninha (como eles me chamam) de saltos altos, toda de vermelho, saia daquelas que cada vez que rodam, rodam mesmo!, inteira naquela pista...
Que surpresa ver quem já não via há tanto tempo. Amigos do castelo que ruíu. E aquela frase ficou comigo, como uma recordação preciosa - Oh Joana, nem te reconheci. A sério, nem vi que eras tu, estás tão diferente, mais magra, mais elegante, feminina, confiante... Tu a dançar... Cuidado que ninguém te pára! (sim, foi uma excelente massagem para o ego!)
O meu pai chama-me show off. Sim, quero impressionar os outros. Mas não por querer mostrar que sou boa, mas por querer mostrar como posso ser eu mesma, e como esse eu é tão diferente do que normalmente está à vista. A diferença entre uma coisa e outra é tão ténue que até eu tenho dificuldade em vê-la, mas conseguem perceber? Estará assim tão errado?
Sei que já escrevi sobre isto antes, mas cada vez que o faço ainda parece a primeira vez. Porque é diferente, é uma nova barreira que se transpõe. E hoje não é sobre a salsa. É sobre a kizomba. Sobre ansiar por braços que envolvam o corpo por inteiro, pela sintonia, pelo ritmo... um ritmo que sempre odiei, mas que agora flui no meu sangue, bate no meu coração... Estou drogada, inebriada, completamente viciada na dança... O Patrick Swayze tinha razão! Sem confiança, sem nos deixarmos tocar não é possível. (Já ouço bocas brincalhonas - O que tu queres sei eu! - ) Não sei explicar porque gosto... Este post sabe-me a pouco quando penso, quando ouço kizomba e salsa aqui no pc... Apetece-me levar-vos no bolso em cada saída. Testemunhas da minha felicidade, perceberem a obcessão, o bichinho... Porque eu sei que sou chata com este assunto. Chata e obcessiva. As minhas desculpas, mas não consigo calar o que já está dentro de mim, tão dentro de mim que já confundo com aquilo que já era meu...
Saturday, August 19, 2006
Memoirs of a geisha # 2
(esta imagem arrepia! realmente tanto o livro (até agora) como o filme valem muito a pena)
Molhei o livro. Fiquei danada comigo e tão triste... Ali parada com aquela carcaça encarquilhada nas mãos. Vais secar... Mais ou menos... Nunca ficarás como antes - esperam-te as rugas, a humidade que não vai passar e o bolor que há-de vir. E não sei que faça. Não consigo deitar um livro fora, simplesmente não consigo. Mas também não consigo andar contigo assim nesse estado... manchado, e eu com medo que as páginas se desfaçam nas minhas mãos... Vou comprar outro, com algum esforço económico... Quanto a ti... não sei que fazer contigo...
Se alguém quiser adoptar um livro encharquilhado... não me parece...
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