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Friday, May 25, 2007

Banco de jardim

No jardim havia um banco. Grande e de madeira, daqueles em que se sentam uma multidão de problemas e sonhos. Numa ponta está a timidez e a ferrugem, noutra a desenvoltura e a espontaneidade. A menina nasceu na última ponta mas a vida trocou-lhe as voltas e sentou-a do outro lado. E ela ali ficou, sem perceber bem porquê, sabendo que estava no lado errado. Um dia resolveu sentar-se no lugar que lhe pertencia, mas não era assim tão fácil. A menina tinha crescido na sombra e agora é preciso aprender a suportar a luz. Passar do sossego ao movimento. Devagarinho, centrímetro a centímetro, ela avança até ao outro lado do banco como se tentasse domar um astro. No fundo é como se houvesse uma segunda pele por cima da dela que lhe dificultasse fazer meio quando sem ela a menina facilmente fazia todo. Há que aprender agora a ser natural. O problema está na canalização. Assim que ela descobrir a utilizar os seus instintos empoeirados todas as barreiras cairão por terra. Sabendo isto a menina vai tentando, aos poucos, até (um dia) encontrar o caminho certo que a leve de volta.

1 comment:

xary said...

o importante é saber onde se pertence. quanto tempo se demora a lá chegar, ou como, é segundo plano. de alguma maneira regressa-se. :)

beijo grande *