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Thursday, November 06, 2008

The movie in my mind*

Quando era pequena sonhava em frente e via alguém (algo) diferente. Imaginava-me de calças de ganga, cabelo apanhado desarrumadamente e óculos intelectuais. Cabeça apoiada numa mão e a escrever apontamentos com outra. Alguém que aproveitasse a vida ao máximo e tivesse uma sede de saber inesgotável. Uma pessoa que nunca olhasse para trás nem se detivesse em cenários e pessoas hipotéticas. Alguém que trouxesse o mundo inteiro no bolso e fosse capaz de levar uma resolução firmemente a bom porto. Alguém que nunca se deixasse prender por raízes emocionais. Queria que uma mazurka fosse só uma mazurka. Que as kizombas fossem sempre apenas kizombas. Que filmes, livros e palavras não passassem disso mesmo. Nunca pensei que poderia viver ensombrada por sonhos de criança e espectativas inúteis. Brainwash, I say...
.
Depois (e porque estas coisas só surgem depois deste rol de suspiros) ocorre-me que ainda só trago vinte e dois anos de bagagem. Que ainda sou só um ser algo embrionário daquilo que quero (aprender a) ser. E sobretudo, que são todas estas pequenas falhas que me vão permitir aprender na pele as lições que mais me importam. É a garantia que elas trazem; a promessa de ensinamentos inesquecíveis. E é algures por esta altura que chega o momento Matinal. Aquele em que enterro o nariz na cova no meu braço e muito lá do fundo consigo ainda sentir o aroma a pêssegos. E chega.
*Miss Saigon Soundtrack

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