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Thursday, October 19, 2006

Dia roubado, sorriso infinito

Roubei um dia ao tempo. Não devia. Não podia. Mas... aconteceu! Foi acontecendo. E mesmo sentindo na pele o esforço redobrado que terei amanhã não posso senão sorrir ao que tenho hoje. Como sabem bem estas prendas do destino! Estes dias que à partida não apostava nada neles mas depois florescem entre os meus dedos. E um sorriso brilhante que desponta pela manhã e permanece fiel no meu rosto, até às altas horas da noite. Descrições incapazes de comportar-me nelas, narrações que não servem. Este meu coraçãozinho pequenino para tanta alegria. Por nada e por tudo! Lágrimas que espreitam a cidade desfocada do canto dos meus olhos, sussurando de mãos dadas. Fecho os olhos e suspiro lentamente. Vejo o dia que desfila em memórias frescas.

Adivinhas em alemão, conversas em inglês, aquele cabo das tormentas mental finalmente dobrado (teacher's pet again!). Almoços, conversas, cantorias, cinema. Sentir-me de volta ao ninho numa sala de cinema, naquela sala, naquelas cadeiras... Sozinha numa sala de dança, no escuro a declamar Shakespeare... Abro as asas e a voz, baixinho, e sou feliz, toco o céu dali, naquele pedacinho de nada. Com o peito cheio demais para respirar. Aula de salsa que me enche a alma e o corpo. E esqueço-me de mim. Porque a certa altura eu deixei-me para trás. Deixei o falso de mim para trás. Deixei o meu próprio corpo para trás. Vejo alguém diferente nos olhos dos meus pares. Risos, brincadeiras, elogios... E acredito, e sinto no corpo (meu e deles) que posso ser a melhor. Porque encaixa. Porque encaixo. Aqui e na aula de kizomba. Encaixa... Jantar com amigos, conversa vai, conversa vem... um bife grelhado com limão de fazer chorar, de enfiar o dedo na bochecha como os italianos! Fugir da chuva para mais dança... Rumba, slow rithm... a poliglota das danças, é o que já me chamam, a todo-o-terreno... e eu sorriu e converso e sinto-me em casa e sou feliz...

E agora, com Norah Jones que me aconchega os pensamentos e os pés cansados, uma caneca de chá de menta a fumegar, a cama aberta que já promete sonhos e mil e um mundos para conquistar... agora solto uma das lágrimazinhas e sei que por muito que ainda me possa faltar não poderia ser mais feliz...

2 comments:

marina said...

:) e esses timings fazem-nos acreditar na beleza da vida. é aquele momento em que pensamos encontrar aquilo que nos faltava. que por muitos baixos, por muitas nuvens negras que existam no nosso céu, há sempre, sempre um momento alto para abrirmos as asas e voar :) alto, alto...

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xary said...

dia roubado? tsc tsc. oferecido de bandeja :)

tão recheado está este post. tanta coisa boa. tanto sentimento à flor da pele. nota-se. sente-se. quer-se sentir mais. roubar mais dias só para nós. porque o tempo é ladrão mas aprendemos com o melhor e roubamos também. para termos as mãos cheias e o coração a transbordar. para devolver como quem não precisa mais. porque o que tem foi o que sempre teve mas com máscaras diferentes. e os dias, a vida pode ser uma dança infinita com o tempo.

beijo grande*

:)