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Monday, February 13, 2006

Maldita semana

Esta semana do ano deixa-me sempre tão deprimida - é o dia de S. Valentim e na semana seguinte os meus anos. Quer dizer, nos meus anos (felizmente) não tenho tempo para ficar deprimida (cortesia dos meus amigos). É antes o facto do estuporado do dia 14 estar tão próximo do meu aniversário, como se uma vozinha me dissesse: "Mais um ano que passou e nada... e para a semana estarás um ano mais velha". Nestas alturas a minha vida assemelha-se a uma ampulheta a escacear de areia (estou a ser dramática de mais - é outra vez culpa do meu lado sádico).

Mas tenho tantos projectos acumulados... Projectos para dois. Cada romance cor-de-rosa, cada dança, cada dueto, cada maldita comédia romântica. Parece que há algo na minha mente a funcionar como uma espécie de examinador de bloco e caneta em riste, ar concentrado e óculos a meio do nariz. E as anotações acumulam, e acumulam e acumulam...

Estou farta da conversa consoladora: "Deixa lá, qualquer dia será a tua vez", "Quando deixares de procurar", "Quando menos esperares", yadda, yadda, yadda... No fim sinto-me como uma donzela trancada numa torre de marfim sem poder fazer nada, como se fosse só o Destino a ser cruel comigo.

A verdade é que me sinto velha. Velha e incapaz (isto deve fazer-vos rir). Tenho quase 20 anos e nunca nada... A minha vida amorosa resume-se a um ecrãn de televisão/cinema, livros e observação da vida amorosa dos outros. Sinto-me patética quando penso que na suposta altura certa vou parecer uma adolescente à beira de um ataque de nervos, quando na verdade eu não sou assim. Em tudo o que faço já superei o nível da adolescente desajeitada (quer dizer, tenho momentos verdadeiramente infantis, mas não mais do que o normal e sempre acompanhada (ou seja, a culpa não é inteiramente minha!)). Todos os aspectos da minha vida/personalidade evoluíram, enquanto que este ficou para trás. Parado no tempo. Interrompido sem nunca ter começado.

E depois há a família. A família, que olha para mim como sendo um bicho raro por na minha idade não andar para aí com "namoricos". A família que de forma tão teatral afirma espantada não acreditar que não haja "mouro na costa". A família, que então diz que são tudo mentiras minhas, que eu só não quero é falar sobre o assunto. A família, que quando finalmente acredita em algo tão mirabolante como não ter namorado me chama "ajuizada" (grrr) e me diz que "assim é que é - primeiro tirar o curso e arranjar a minha vida, depois logo me posso dedicar a isso" (devem pensar que isto é como ficar numa estação à espera do autocarro!).

Já passei a fase das lágrimas. Aqueles anos em plena adolescência em que tudo me fazia chorar. (Riso.) Devo ter chorado tudo o que o prédio inteiro tinha direito (incluindo animais de estimação). Se tivesse sido tudo numa noite ter-me-ia afogado, como quase aconteceu com Alice do País das Maravilhas.

Agora estou apenas(?) inquieta e expectante. É como se esperasse pela chegada da madrugada para começar a minha vida. É absurdo, eu sei. E percebo que seja estranho para os que (ainda) estão a ler este post, visto que a maioria me vê como alguém que superaria tudo isto facilmente. Eu sou aquela que tem um horário inacreditávelmente elástico, onde sequer arranjar o tempo para me preocupar com isto? Tenho uma voz invejável, sou uma boa dançarina... - porquê ralar-me com inquietações inuteis? Frito (termo técnico) com facilidade, vivendo o dia uma piada/gargalhada de cada vez... Carpe diem, dizem "eles"... - mas será que terei sempre tempo para poder encarar o carpe diem sem desesperar ao olhar para a ampulheta?

Este é o meu outro lado, um que ja anda comigo há muito tempo, mas que felizmente é apenas mais uma faceta minha. Como se fosse só uma das muitas combinações de um caleidoscópio.

4 comments:

xary said...

já dizia o meu avô "primeiro tiras um curso, crias a tua independência e depois arranjas um marido". assim sem mais nem menos, chego-me à esquina e lá estariam eles em fila, à espera. seria fácil não é? uma pessoa tentar não se preocupar com alturas certas, corações aos pulos e todos aqueles sentimentos clichés de que ouvimos falar toda a vida.
tens realmente uma elasticidade no teu dia-a-dia que é de aplaudir, tens talentos de igual apreço e muitas outras qualidades e pontos a teu favor. e percebo o que se passa aí dentro. mas sinceramente e não querendo entrar em mais clichés, talvez o truque seja mesmo deixar andar. pôr o carpe diem em versão turbo e manter o coração e os sentidos atentos para que nada escape. e o são valentim ... era partir-lhe aquelas setinhas todas uma por uma. piroso dum raio ;)

beijo grande! *

sancie said...

From birth girls are brainwashed into dreams of knights in shiny armor and fairy princesses who get rescued and afterwards hollywood gets its share of the game and throws some more romantic comedies into the fire and books dwell in some more stories of heroes and heroines. Society teaches that if a woman is alone that makes her somewhat deminished, flawed. It makes us feel sad, depressed, less than others, alone.

I say rubbish, all of it. I find it rather insulting the way most people assume that if a woman is alone she is certainly looking for someone (pressuring us to feel like that too). Like if, paraphrasing Jane Austen, it's a truth universally aknowleged that a single woman must be in want of a man.

You'll find someone in time, or you won't. Same as the rest of us. You don't need society's validation to make u feel better about yourself. Look at who you are, at what you have. There's your center.

And next time your family bugs you about all of your mystery boyfriends, tell them you're a lesbian. That ought to shut them up;).

Miguel said...

Bem, depois do comentário da Inês não sei se precisas que eu diga alguma coisa :P acho que aquela de dizeres que és lésbica ao menos fazia com que as perguntas acabassem por um tempo :P

Não te preocupes com ter ou não ter namorado, esse "problema" também preencheu grande parte da minha vida, e acabou para felicidade minha por ficar solucionado quando já não procurava incessantemente uma saída...

És jovem, tens uma vida pela frente, quando acontecer acontece e mais nada. Entretanto vai fritando com todos nós :P e encantando-nos com essa tua voz!

Bjinhos ***

marina said...

epah eu ja ontem te disse k poxo ser tua namorada!! e mantenho a minha ideia!! a sério!! o rogerio sabe que eu tnho tendencias bi-sexuais (LOLOL) e dsd k agente filme, por ele é na boa! LOL

agr a sério, estas lenga-lengas ja ouviste tnt vez k n vale a pena massar-te cm isso, e depois tu já sabes a minha opinião, e eu até ja te dei exemplos meus concretos (se n te lembrares, eu refresco-te a memória! ;))

basta dares valor a ti propria..e pensares k tens nos teus amigos mto amor, pa dar e vender (eu pelo menos falo por mim, a ines ja n sei, ela no outro dia dixe-me k n gostva nda d ti...por ixo..), mx cmo tva a dizer, eu amo-te mais k um gajo te pode amar pah!!!!LOLOL..mx k amo, amo!!!

amor suficiente pa ir pa cima e pa baixo ctg (nda d perversoes ya??), pa tar ctg kdo precisas e kdo n precisas, so mm pa te xatear! e gajos?? (ou gajas??) kem precisa dixo pah??

ha-de xegar o dia em k has-de ter tdo o k pensate e k sonhaste, e se exe dia n xegar (cmo dixe a bitch da ines!!!LOLOL (love u 2)) a vida dar-te-a outro tipo de compensaçoes. pk o mais imptt n é o amor (as in relationships), nem a pexoa companheira, mx sim a amizade e os amigos. ai ék ta a base d tdo! e ixo tu tens!!!


So, no one told you life was gonna be this way. (clap, clap, clap, clap, clap.)
Your Job's a joke, you're broke, your love life's D.O.A.
It's like you're always stuck in second gear.
And it hasn't been your day, your week, your month, or even your year.
But -

I'll be there for you ... when the rain starts to fall.
I'll be there for you ... like I've been there before.
I'll be there for you ... cause you're there for me, too.

love u :) *****************