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Sunday, February 19, 2006

O guardador de rebanhos (poema XXXVI)

E há poetas que são artistas
E trbalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...

Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está!...
Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.

Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira.
E olho para as flores e sorrio...
Não sei se elas me compreendem
nem se eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao colo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E não termos sonhos no nosso sono.

Alberto Caeiro

Porque há dias em que não me apetece pensar. Porque sim. Porque não. Porque não sei. Também não sei se quero saber. Who cares?... Não tenho que ser sempre um ser pensante (se é que sou um)...Carpe diem, eu vou dormir mais um bocado, depois... depois logo se vê...

4 comments:

marina said...

devo confessar que gostei mais do que escreveste do que do poema, mas mais uma vez dvo dizer k n sou fã dos pexoas! LOL

and the question is (alwyas) WHO CARES??

:)* * * * *

Tati said...

Alberto Caeiro!!!my favorite!dos heterónimos é definitivamente o melhor (para mim...)
o guardador de rebanhoooossss...ooooh esse poema é lindo...

e sim concordo contigo...há dias em que não apetece ser...apenas existir e deixar-nos levar pela natureza...

xary said...

em dias assim alberto caeiro é a melhor companhia. os outros pesam demais.
os poemas dele são maravilhosos, cada verso uma delícia para os sentidos :) boa escolha!

beijo grandee*

Anaoj said...

Um gajo tem uma crise de identidade e depois dá nisto...Ai, ai...