Pages

Thursday, May 11, 2006

Revivalismo infantil - Sebastião

E com vocês o consagrado compositor da corte - Horácio Vinicio Inácio Crustáceo Sebastião!

Sebastião: Temos que pregar as barbatanas da menina no nosso chão!

Tritão: Eu sei que você esconde alguma coisa de mim...
Sebastião: Escondo alguma coisa?
Tritão: Sobre Ariel...
Sebastião: Ariel?
Tritão: Amando...
Sebastião: Eu tentei impedi-la senhor! Eu disse para ela se afastar desses humanos! Eles são maus, eles são perigosos...
Tritão: Humanos? Mas que humanos?
Sebastião: Humanos? Oh...(laughs)... Mas que falou em humanos?

Sebastião: Olhem só para ela - com pernas! Com pernas humanas! Eu estou arrasado! Isto é uma catástrofe! O que é que o pai dela diria? Eu lhe digo o que pai dela diria! Ele dirá na certa que há-de matar um siri! É isso que ele vai dizer! Eu vou indo directo para casa e guaranto que vou contar a ele, como já devia ter feito! E não balance a cabeça para mim, mocinha! Talvez ainda haja tempo... Se ao menos aquela bruxa lhe devolvesse a voz você iria para casa como todos os peixinhos normais e então seria... e então seria... e então seria infeliz pelo resto da vida... (sighs)... Está bem, está bem... Eu vou ajudá-la a encontrar o príncipe... Frouxo! Que casquinha mole eu vou acabar ficando!



Sebastião: Este foi sem a menor dúvida simplesmente o dia mais humilhante de toda a minha vida! Eu espero que você reconheça o que já passei por você, mocinha! Agora temos que traçar um plano para fazer esse rapaz beijar você. Amanhã quando ele a levar para o passeio você tem de estar uma beleza! Você tem de piscar os olhos assim...(blinks)... Você tem de fazer um beicinho assim... Você é incorrigível, menina, e sabe disso. Não tem jeito!

Wednesday, May 10, 2006

Keeping life simple # 2

Enfim.. projectos de vida... apontamentos "simples" de experiências a ter... (este livro que fez de mim uma "Monica"!...)

Leve o seu cão a dar grandes passeios.

A melhor maneira de limpar da sua vida as coisas acumuladas é fingir que vai mudar de casa e percorrê-la, quarto por quarto, eliminando sem dó nem piedade.

Goze do seu sentido de olfacto. às vezes estamos tão ocupados a correr de um lado para o outro que não nos permitimos apreciar os cheiros agradáveis que se encontram à nossa volta. De facto, o sector do cérebro que controla o olfacto é o mesmo que controla a memória e as emoções e é por isso que determinado cheiro pode trazer-nos à memória sentimentos e recordações. Aspire o cheiro do pão a cozer, do café a fazer, a relva, o pescoço de um bebé e tudo o mais que o faça sentir bem. A sensação de bem-estar irá prolongar-se durante imenso tempo.

Quando os seus filhos se forem deitar, não lhes pergunte como correu o dia. É uma perguntademasiado genérica para que respondam de modo compreensível. Em vez disso, pergunte-lhes qual foi a melhor coisa do dia e qual foi a pior. Vai ouvir coisas interessantes. E, quando lhes perguntarem a mesma coisa, responda com sinceridade.

Não deixe de convidar as pessoas para sua casa só porque isso dá muito trabalho. Em vez disso, organize jantares em que cada um traz uma coisa. Todos trazem um prato e todos levam para casa um tacho para lavar.

Quando chegar ao emprego, pela manhã, use os primeiros dez minutos para fazer uma previsão do seu dia. Ao definir horários, deixe algum tempo livre para acontecimentos inesperados que não possa antever.

Mantenha perto da cama um bom livro, algumas cassetes com música relaxante, um bloco de notas e um lápis. Pode ser que você acorde de um sonho que valha a pena contar por escrito!

Quando esvaziar uma caixa de lenços de papel, ponha a caixa vazia na banca da cozinha e encha-as com sacos de plástico da mercearia. Quando tiver uma caixa cheia de sacos, meta-a na mala do carro. Ficará surpreendido com a quantidade de vezes que esses sacos lhe vão dar jeito para meter umas botas sujas de lama, panos sujos, vasos de plantas e outras coisas mais.

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


Florbela Espanca

(não sei porquê, a imagem "soou" bem aqui... I think you get the point...)

Sunday, May 07, 2006

Novas identidades, novos destinos

Por vezes apetece-me desaparecer. Interromper a minha existência. Poder estar noutro sítio, ser outra pessoa (sem dramas em especial (na minha vida), apenas desejo de mudar). Abrir um livro e estar na China, França, Inglaterra, Argentina, Itália (onde for!...)... Existir no tempo dos nossos avós "quando o caminho daqui até onde é hoje o aeroporto era campo verde a perder de vista" ou "quando o sol era o relógio das gentes"...

Sim, um livro basta!...

The Hours

[Uma das minhas cenas preferidas do filme...]

Richard: I got the prize for having Aids and going nuts and being brave about it (...) Do you think they would've given it to me if I were healthy?

(...)

Richard: "Oh Mrs. Dalloway... always giving parties to cover the silence."

(...)

Clarissa: This is a group of people who want to tell you your work is going to live.

(...)

Richard: Would you be angry if I died?
Clarissa: If you died?
Richard: Who is this party for?
Clarissa: What do you mean, who is it for? What are you asking? What are you trying to say?
Richard: I'm not trying to say anything. I'm saying I think I'm only staying alive to satisfy you.
Clarissa: So... That's what people do, they stay alive for each other. The doctors told you, you don't need to die. You can live like this for years.
Richard: Well, exactly!
Clarissa: I don't accept this! I don't accept what you say!
Richard: Oh, it is for you to decide, is it? How long have you been doing this? How many years coming to the apartment? What about your own life? What about Sally? Just wait till I die, then you'll have to think of yourself! How're gonna like that?

Michael Cunningham

Friday, May 05, 2006

Poema à mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu não sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu...
Eu saí da moldura
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.


Eugénio de Andrade

Dedicado às mães...

Quando o mundo era pequeno

Por vezes sinto falta de quem era antes. Agora sinto-me uma traição ao que fui e ao que prometi ser. Sem querer quebri promessas seladas ao longo dos anos. Como adultos que as esquecem (as promessas) por estarem "muito ocupados". É nisto que me estou a tornar. Num "deles". Quando era criança batia o pé e dizia: "Quando crescer vou ser diferente com os meus filhos! E vou ter sempre tempo..." blá, blá, blá, conversa esquecida!... E veio a idade e a sociedade e tornou-me num desses seres estandardizados e sem tempo! Porque a vida não é linear como era antes. Quando a minha mãe era só a MINHA! mãe. Mas era muitas (outras) coisas que eu não via. Esposa, filha, irmã, executiva, amiga, mulher, cidadã... tantos mundos e tantas esferas...

E agora é a minha vez de ser engolida por esses (tantos) mundos! a "multiplicidade de papéis" segundo os manuais de psicologia. O meu mundo expande-se e o outro encolhe. Porque o tempo não estica, e o mundo que existia sozinho agora retrai-se para que todos os outros possam caber no mesmo espaço. E veem as desculpas (para quem??). "Ah, não tenho tido tempo", "Agora estou no meio de muitos projectos", "Ultimamente tenho andado muito cansada"... Não, não são tretas, mas para o que existia antes parece uma justificação pouco satisfatória ou confortante.

E o ritual fica para trás. Os meus amores tornam-se esbatidos. Onde estão os livros? Bem à minha frente, todos os dias, como que em constante saudação. Mas onde estão os livros? Onde, as noites em que uma hora de leitura não era nada? Em que as páginas voavam por entre os meus dedos. Em que o chá arrefecia por entre páginas e suspiros. Onde?... Quando o dizerem-me que leio muito não me soava a falso. Onde, o propósito da biblioteca e da livraria em devorar tudo e não apenas namorar os livros nas estantes?...

Hoje sou muitas coisas e sou feliz. Mesmo ocupada, mesmo cansada, corro por gosto e tento não deixar escapar o sorriso.

Mas (ainda) tenho saudades dela. Sinto falta da menina que adormecia em Avalon para no dia seguinte lanchar em Paris e sonhar com Narnia.

Agora parece que tudo o que temos é o quotidiano e o amor de todos os dias. Capas e páginas, palavras à parte.

Tuesday, May 02, 2006

Velhas utopias

Caneca de chá na mão (como sempre). Suspiro... Há pessoas e acontecimentos que nos fazem pensar. Pior, que nos fazem sonhar. Mesmo quando sonhar nem sempre é o mais acertado. Coisas que acontecem, pessoas que as fazem acontecer. Sem qualquer motivo aparente. Mesmo quando não é nada connosco, mesmo estando felizes por contágio e arrastamento, há algo mais.

Uma luz que surge no fundo do túnel. Algo que julgavamos (ter) morto há muito tempo. Vem não com a angústia com que a reprimimos, mas antes com a suavidade uma brisa amena de Primavera. A esperança de que possa ser mesmo verdade. Que existem mesmo pessoas assim. Que nada está (verdadeiramente) extinto ou perdido. Que nem sempre precisamos de deixar pistas para n(os) guiarem a nós, ou editar o nosso próprio manual de instruções. Que há um mundo de livros e de flores...

E ficamos felizes. Porque aconteceu. Porque estávamos lá. Porque de certa forma foi quase connosco. Porque pode mesmo ser verdade...

Jolly holiday

Ain't it a glorious day Ripe as a morning in May I feel like I could fly (Now Bert, none of your larking about) Have you ever seen the grass so green Or a bluer sky Oh it's a jolly holiday with Mary Mary makes your heart so light (You haven't changed a bit, have you?) When the day is gray and ordinary Mary makes the sunshine bright (Oh, honestly!) Oh hapiness is blooming all around her The daffodils are smiling at the dove When Mary holds your hand You feel so grand Your heart start beating like a big brass band (You are light-headed!)It's a jolly holiday with Mary No wonder that it's Mary that we love

Oh it's a jolly holiday with Mary Mary makes your heart so light When the day is gray and ordinary Mary makes the sunshine bright Oh hapiness is blooming all around her The daffodils are smiling at the dove When Mary holds your hand You feel so grand Your heart starts beating like a big brass band It's a jolly holiday with Mary No wonder that it's Mary that we love

Oh it's a jolly holiday with you, Bert Gentlemen like you are few (A vanishing breed, that's me!) Though you're just a diamond in the rough, Bert Underneath your blood is blue (Common knowledge) You'd never dream of pressing your advantage Forbearance is the hallmark of your creed (True!) A lady needn't fear when you are near Your sweet gentility is crystal clear Oh it's a jolly holiday with you, Bert A jolly, jolly holiday with you

[Mary Poppins, Jolly Holiday]

Monday, May 01, 2006

Nessas duas não me apanham!

Há noites em que uma kizombinha calha mesmo bem! Assim para relaxar, não pensar em mais nada, de olhos fechados... O belo do ritmo africano... As mãos dela nos ombros dele ou atrás do pescoço. As mãos dele na omoplata ou cintura dela, as pernas entrecruzadas e que comece a dança.

Tudo muito bonito (e possivelmente romântico). Mas entre o bonito e o embaraçoso por vezes a distância é curta. Isto depende não só do par, mas também da música em si. Sim, porque há kizombas com cada letra... Bom, regra geral são músicas sempre um pouco "frescas" e abusadas, mas há duas para mim que não demais! Dançar qualquer uma delas com alguém é sempre um embaraço do pior, senão vejamos:

A primeira chama-se "Faz amor comigo" (self-explanatory, I think...) e alguns versos são qualquer coisa como:

O desejo me alucina
Faço qualquer coisa para você ficar
[...]
(refrão)
Faz amor comigo, faz amor comigo
Me tira desta solidão
Vem matar minha saudade
Faz essa vontade no meu coração
[...]
O perfume do pecado que me faz sonhar
Chegar até ao céu


A segunda é de tal forma ofensiva que deveria ser proibido passá-la antes da meia-noite! Essa intercala a voz do Michael Jackson a cantar "You rock my world" com um tipo (indivíduo A) com voz futurista a dizer:

The end of the world is upon us, pretty soon we will all turn to dust!

Depois ouve-se outro tipo (indivíduo B) a gemer por uma flausina qualquer a quem ele chama "negra", como se aquilo fosse um filme porno ("Ai negra, assi negra...(mais gemidos)"). Depois surge novamente o indivíduo A a dizer:

Goodbye my friends, I'll see you in a next life

O indivíduo B começa então a fazer um som qualquer coisa como "Prrrrrrrrrr" (vá se lá saber porquê!). E novamente o Michael Jackson com o seu "You rock my world". Uns segundos depois voltamos ao indivíduo B com os seus gemidos (que se prolongam muitos muitos, muitos segundos...). Enfim, um verdadeiro apogeu sonoro!


Conselho: de cada vez que alguém as ouvir e correr o mínimo "risco" de ser convidado/a para dançar, que fuja para a casa de banho, pegue no telemóvel, qualquer coisa, mas fujam... E tenham medo, muito medo...