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Thursday, September 21, 2006

Noites encontradas

Noites perdidas que passam entre os dedos e o teclado. Tinha tantas saudades de esquecer o relógio na noite... Sabe a promessa de algo antigo, algo familiar... As nossas conversas de sinapses intermináveis. Dedos que se movem velozes no teclado (aquele ruídozinho constante das teclas), palavras que se soltam com o à vontade da nossa amizade. Já começava a sentir falta de me aconchegar nas tuas palavras, nas tuas parvoíces, de me aventurar nas minhas metáforas e paralelismos esquisitos contigo. Assim, como fazíamos antes. De sentir alcançar esta paz tão procurada quando estou contigo. Um estado de espírito ao qual tinha receio de não conseguir regressar. Mas agora está tudo como dantes. Um novo semestre amanhece mais solarengo do que o esperava. Até a noite parece mais calorosa. O frasco de bolinhas de sabão pisca-me o olho do parapeito da varanda. Tenho medo do silêncio das últimas noites, da ausência das férias, do negrume do próximo semestre sozinha, dos ciúmes que iria sentir, da verdade que não admito. Tinha! Past tense. Quase todos. Ainda tenho medos. Mas hoje estou tranquila. Já tenho o meu beijinho de boa-noite para me afagar o cabelo.

Sim, esse foi outro. Sou como um ermita que chegou finalmente ao seu destino. Ultrapassei as montanhas no meu caminho, suportei as dores da viagem e agora, finalmente, começo a chegar a casa. Tremi. Esfreguei os olhos para me certificar que li correctamente o monitor. Lá estava, a minha medalha. A minha pessoa descoberta sobre aquele mesmo holofote. As palavras tão ansiadas, tão antecipadamente choradas. E saber que não mostrei o caminho ou que não pus palavras na boca de ninguém. Que mesmo assim a estrada foi dar à mesma saída. Ao mesmo feedback. Como é doce este mel! Talvez eu seja especial. (Especial somos todos!) Cocktails de personalidade... Talvez seja mesmo verdade que a minha mistura é bonita... De qualquer forma, como é bom chegar a casa. Casa. Porque é assim que me sinto. Dentro do meu próprio diminutivo, nas vossas palavras... Como um beijinho de boa-noite ou um abraço apertado e sorridente.

2 comments:

marina said...

:) há noites e noites... noites em que se diz pouco, outras em que se diz muito. não é por ai que se mede a amizade :)

sim, especiais somos todos. mas somos sempre mais especiais para uns do que para outros. há outros que nos vêm duma maneira diferente. duma maneira especial. há aqueles que nos vêm. :)

beijinhos de boa noite são sempre bem recebidos. eu então gosto muito deles =P


:) gostei ********************

xary said...

disse a marina que há noites e noites, umas em que se diz pouco e outras em que se diz muito. até há aquelas que com pouco se diz tanto - as minhas preferidas. em que paira um sentimento de reconhecimento nos silêncios partilhados de palavras com a boca cheia de 'segredos'.

és especial tal como todos nós. o que parece um bocado contraditório, ser especial num colectivo confuso de caras desconhecidas, por conhecer e outras que já conhecem ou vão conhecendo os cantos da casa. a tua.

às vezes pode não parecer, mas certas coisas não falham o seu propósito. parecem meias perdidas, às aranhas, a dar voltas e voltas que não vão dar a lado algum. mas vão. esse é o caminho que têm de percorrer até chegarem à porta que as recebe de braços abertos. como se fosse um retornar e não o primeiro olá.

beijo grande* :)